De quem são esses olhos
Que me fitam curiosos cada vez que me vejo
No espelho?
Eu uma e eu sou tantas, tão diversas...
São imagens que se fundem, superpostas,
E tantas vezes se confundem
E rodopiam misturando os seus traços
Num compasso incessante de mudanças....
Sou cigana, sou egípcia, sou a bruxa
Olhos vivos, de mistérios milenares...
Disfarçados, maquiados, penetrantes...
Sou a dama recatada, sou a mártir
Olhos baixos, tímidos, suplicantes...
Sou guerreira, sou o bárbaro comandante
Olhos vivos, atentos, vigilantes...
Sou assim...
Sou completa, inteira e fragmentada
Um conjunto do que fui, do sou e o que serei
Muitas vidas, muitos corpos, muitos Eus
Se resumem nesses olhos que me fitam
E escondem tristezas, alegrias e amores,
Segredos, mistérios, tantas dores...
Mas que viram e viveram tantas coisas
E fizeram de mim esse enigma
Essa pessoa dividida e amiga
Tão cheia de afeto e de doçura
De cicatrizes tão profundas e tão leves
Sou cortesã,
Sedutora, sensual, dissimulada
Sou a mãe,
Carinhosa, amorosa e dedicada...
Sou guerreira,
Lutadora, persistente, arrebatada....
Simplesmente...
Sou mulher.
Companheira, amiga, apaixonada....
07/12/2006.
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