sábado, 29 de setembro de 2007

* EXTREMOS

Minha inteligência fez de mim
Alguém extremamente burra
Em se tratando de emoções...
Minha sagacidade fez de mim
Alguém extremamente crítica...
E minha criticidade me tornou
Extremamente criticada...

Minha sensibilidade me fez ser,
Sempre,
Extremamente magoada...
Minha generosidade, sempre
Me fez ser extremamente explorada....
Minha disponibilidade
Sempre me trouxe intrigas e disputas...

Minha capacidade de amar
Fez de mim alguém extremamente rejeitada....
Minha capacidade de perdoar o imperdoável
E compreender o incompreensível
Sempre me fez ser extremamente incompreendida...

Vivo vidas que não são minhas
E nem sei se estou passando em branco
Pela vida que me cabe...
Sou cheia de humor e alegria
E muitas vezes a depressão e a loucura
Me espreitam numa curva do caminho...

Tudo o que tenho não é meu
E não disponho do que me pertence por direito;
Jamais tive a lealdade que dedico
Ou me vi como prioridade
Dos que me são prioritários...

Vivo de opostos, de extremos...
E, se um dia isso foi incômodo,
Hoje é pra mim um ponto de equilíbrio.
Navego entre dois mundos
E neles aprendo e bebo da fonte de vida...

E se assim a vida me fez conhecer a vida,
Assim aprendi a conhecer a mim,
E a viver as infinitas possibilidades

Porque a vida fez de mim alguém
Extremamente sedenta de conhecimento,
E extremamente bela...

*2007

* TRAVA

Trava,
Tramela.
Revela o medo.
Orgulho
Borbulha do peito,
Deixa de fora
O afeto,
Retoca o que sente
E mente
Que é repente.
Nem sente
A fome, o frio.
Ferrolho
Que fecha o olho
Do amor

*2002

terça-feira, 18 de setembro de 2007

* HOJE, NÃO

Eu tenho paciência infinita com a loucura alheia
E me espelho nas dores e carências
De quantos encontro pela vida...
Mas, por favor,
Hoje não...

Hoje, me bastam minha própria tristeza
Minhas dores, desejos e mágoas....
Hoje, não quero saber das loucuras,
Fragilidades, tristezas de mais ninguém...
Hoje só quero saber de doçura,
De carinho, beijo aconchego....
Só quero saber de quem me queira bem...

Hoje, não, por favor....
Não quero ouvir dissabores,
Mágoas de amores
Ou viagens alucinadas....
Não quero saber de problemas
Não quero saber de tristezas....

Nem mesmo quero saber das vitórias
Alegrias, sucessos, glórias!
Que cada um se realize onde está seu coração,
Que festeje a realização dos sonhos,
Mas, por favor...
Hoje, não....

Não se trata de inveja, amargura ou ciúme...
Só preciso de um tempinho
Pra lamber minhas feridas
E, de novo sorrir pra vida.
Amanhã eu volto...
E vou oferecer meu ombro ou
Vou celebrar os sucessos...
Mas, por favor,
Hoje, não.

Hoje eu quero o meu casulo
Quero colo, quero abraços...
Me digam que sou bonita,
Me cantem músicas lindas
Digam o quanto me admiram
Me brindem com seus sorrisos....
Tragam flores para mim...

Hoje eu só quero beleza
Tranqüilidade,
E a certeza
Do amor que sentem por mim....

*Set. 2007

domingo, 9 de setembro de 2007

* REPETIÇÃO

Infinitas vezes a vida se repete
Até conseguirmos apreender o significado
Das lições que recebemos, desarmados.
Impossível parar seu fluxo
Ou tentar mostrar que é outro o nosso objetivo.
Não adianta tentar usar a lógica,
Ou explicar nossos motivos:
A vida impõe, imperiosa, o seu sentido.
E diante de nossos olhos, estupefatos,
Se desenrola, sem cessar, nosso destino.
Em vão nos dizem sermos dele soberanos
Pois que apenas em parte decidimos.
Cabe a outros reagir da forma “certa”
E só a eles dar o próximo passo.
Como num jogo de xadrez, vivemos:
E tolamente
Pensamos ser reis, rainhas, bispos e torres.
Na verdade não passamos de peões
Ou de cavalos
De um jogador desconhecido, o acaso.
E as peças se movem num tabuleiro
Onde as regras do jogo são por nós desconhecidas
Cada movimento pode levar horas,
Meses, anos, uma vida.
E muitas vezes nos vemos encurralados
Por peão mais esperto ou competente.
É inútil pensar que decidimos,
Que somos espertos, criativos e fortes,
Que podemos decidir o rumo desse jogo
Pois as jogadas são quase sempre intuitivas
E nada nos garante serem as certas.
Até neste momento me utilizo da imagem
Que a outro foi revelada.
E me dou conta que, na verdade,
Não crio nada.

*Abril 2002