quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

* HOMENAGEM A ADELSON DORNELAS

Taí Adelson, junto com DaPaz, no dia em que gravou sua primeira cena desse projeto que pretendeu ser tão grandioso... A gente quase não se conhecia. Rápidos papos em encontros casuais, em meio a espetáculos e eventos. E de repente ... lá estava Adelson fazendo parte de nosso elenco. Alegrando um dia tenso (o primeiro dia de gravação) com sua tranquilidade, seu vozeirão, sua energia tranquila e seu talento...

Como foi bom poder trabalhar com uma pessoa assim, tão profissional, tão simples, tão doce! E apesar de não termos podido manter um contato mais próximo, ficaram marcas desse seu jeito tranquilo. E, como sempre, a idéia de que ainda poderíamos sentar e bater longos papos, a certeza de que ele faria brilhar aquela personagem que, apesar de uma participação pequena, tinha uma importância tão grande na trama...

E a espera pela chegada do momento de vê-lo gravar as outras cenas de sua personagem, a brincadeira a respeito dessa espera, a ansiedade que ele a custo controlava...

Esse dia nunca chegou. Nunca mais vai chegar.

Vi Adelson pela última vez há 7 meses, quando circusntâncias alheias à minha vontade me fizeram abandonar o projeto. Na ocasião, me tocou o coração vê-lo com os olhos cheios de lágrimas lamentando minha saída. Sua solidariedade com a minha dor me comoveu. E me fez admirá-lo ainda mais. E renovar a vontade de conviver mais com essa pessoa que, mesmo um pouco distante, se mostrava tão próximo. Mas o tempo necessário para a cicatrização de minhas feridas adiaram mais uma vez esse propósito. Nos falamos por telefone algumas vezes, fizemos alguns planos de futuros trabalhos... Mas nunca mais nos encontramos.

Agora, a violência urbana tirou-lhe tragicamente a vida. E senti uma enorme nostalgia. Uma tristeza imensa pelo amigo que apenas se anunciava e pela pessoa linda que transparecia nos mais breves contatos.

Uma tristeza pelo vazio que ele deixa nos palcos, nas telas, na vida dos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e conviver com esse ser humano especial. Tristeza pelo vazio que sua luz vai deixar nesse mundo conturbado.

Mas, pelo pouco que conheci de Adelson, tristeza não era uma palavra que deveria ser ligada a sua pessoa. Pela alegria que ele irradiava, acredito que ele prefereria ser lembrado por sua vida, sua doçura, sua simplicidade. E, graças a Deus, estrelas não morrem, apenas mudam de lugar e vão brilhar em outros céus. E, como o grande artista que foi, ele nos deixou a memória de seu talento, de seus trabalhos, da alegria que proporcionou a seu público e seus amigos.

Vai em paz, Adelson. Vai levar tua alegria a outras platéias. E aqui a gente guarda o eco de teu vozeirão, de teu talento e tua amizade...

Muita luz...

*29.Out.2005

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