Arte e vida, assim,
De tal forma entrelaçadas,
Que já nem sei se é platéia
Onde me encontro
Ou se, perdida, estou no palco,
Deslocada.
Personas se sucedem, infinitas
A dor em um segundo vira riso
O descaso é o desejo disfarçado
Solidão vira recolhimento
Felicidade vem tão grande que até dói
E as emoções que se entrechocam no meu peito
Giram, loucas, alucinadas
Em carrossel sem freio, sem parada.
Como no disco de Newton, as cores se misturam,
Ficção e realidade, assim, coladas
Mudam os tons que vejo, num instante
Do mais puro cinza
Ao arco-íris deslumbrante.
E meu coração já tão cansado
De ver seu sentir assim espezinhado
Bate como um louco, em disparada
Não de paixão desenfreada
Mas em fuga, sem destino, sem morada.
* Mar.2002
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