Já dizia Lulu Santos: “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. E ele está certo. A vida é movimento constante e não permite retrocesso. Há, no entanto, que saber a diferença entre “mudar” e “transformar-se”.
O que é verdadeiro não muda — é eterno. Mas transforma-se a cada dia, evoluindo e adaptando-se ao novo “nós”. Não somos os mesmos de anos atrás. Amadurecemos, evoluímos e aprendemos. Mas feliz de quem amadurece sem deixar que a vida destrua a essência e a beleza dos sentimentos sinceros. “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”. Felizes os que caminham numa mesma direção e conseguem manter intactos os laços.
“Cada pessoa sempre é a marca das lições diárias de outras tantas pessoas”. Conosco não podia ser diferente. Trazemos no coração o peso de tantas lutas e, na alma, as cicatrizes de um aprendizado que nem sempre foi fácil. E o caminho do conhecimento não tem volta. É impossível retornar ao aconchego da inconsciência uma vez que a alma foi despertada para a vida.
O afeto que nos une não é mais o mesmo. As mudanças são perceptíveis e nem sempre agradáveis. Ele cresceu e modificou-se conosco, mas não perdeu o brilho. Nós estamos inscritos na história um do outro qual hieróglifos nas pirâmides do Egito. E queiram os anjos que sejamos tão perenes quanto eles... Essas mudanças não são, necessariamente, ruins. É bom ver que nossa amizade não é a mesma de quando nos conhecemos. Que ela continue assim, em mutação, pois não evoluir é estagnar. E estagnação é morte.
A estrada que trilhamos juntos — e tantas vezes separados — é feita de sonhos, dor, risos, choro, alegria, emoção... Mas sobretudo de cumplicidade e confiança. E cimentada com muita verdade. Até mesmo quando fomos duros e nos magoamos, foi a verdade deste afeto que nos fez voltar, dar as mãos e sorrir outra vez. E mais uma vez abrir nossos corações e confiarmos um no outro. E, contra todas as evidências, nos sabermos seguros um com o outro.
Faz um longo tempo que o destino nos colocou numa mesma estrada. Compartilhamos tanto... Rimos e choramos juntos... Nos agredimos e nos consolamos mutuamente... E, principalmente, pudemos ser nós mesmos, nos sabermos amados apesar de nós mesmos, com nossos defeitos e nossas qualidades, sem máscaras. Sim, tentamos esconder nossas fragilidades por trás da “personna”. Isso é humano. Mas, no fundo, sempre tivemos certeza do que significamos um para o outro.
Tanta história entre hoje e o dia em que nos conhecemos... Esse dia é nosso. Que os céus nos permitam comemorá-lo para sempre. A cada ano mais belos, a cada ano mais fortes e, sobretudo, a cada ano mais próximos, mesmo que as estradas da vida coloquem milhares de Km entre nós. Porque o que temos é raro e belo. Temos o amor que transcende, que cura as mágoas e apaga cicatrizes, que nos faz voltarmos em busca do que sabemos ser nosso: um afeto verdadeiro, ainda que mutável. Pois, mesmo sem percebermos, ele é um esteio para nosso crescimento pessoal.
E como uma lagarta que transforma-se após um tempo de casulo, vamos cuidar para que essa amizade seja a nossa borboleta, espalhando sempre beleza por onde passar... Para que os raios de sol nunca deixem de brincar em seu sorriso nem seus olhos percam o brilho de estrelas que têm!
Não mude. Transforme-se. Apenas isso: transforme-se em tudo o que de melhor você pode ser. E vou ficar feliz se eu tiver podido contribuir pra isso, como ao durante todo esse tempo você tem ajudado minha transformação em um ser humano melhor e mais inteiro.
Obrigada por ter feito parte da minha vida ao longo de todo esse tempo!
24 / 10 / 2007