quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

* HIBERNAÇÃO


Há momentos em que a gente precisa parar e retomar o fôlego. A gente precisa olhar pra dentro e ver que caminhos estamos trilhando. E aí, é preciso ter a coragem de encarar os erros e refazer os passos. Guardar o aprendizado e jogar fora as mágoas.

É preciso entender que a vida segue seu curso, por mais despedaçado que esteja o nosso coração, que envelhecemos e perdemos o brilho por mais jovial que seja o nosso espírito, que nosso tempo também passa, por mais que ainda não tenhamos concretizado nada do que sonhamos.

Nesse momento, é preciso, então, ter a sabedoria do velho elefante que se desgarra da manada e espera sozinho sua hora final. Sem mágoa nem melancolia. É preciso se recolher, se conhecer e saber a hora de deixar o grupo. Esse deixar pode nem ser definitivo. Pode ser apenas um momento de deserto. Mas é necessário. E importante.
É um hibernar de inverno para ressurgir na primavera.

É preciso um encontro interior para crescer. Algumas pessoas conseguem passar sem isso, aparentemente. Não eu. Neste momento, estou me recolhendo. Ë talvez mais uma atitude masoquista, um deixar por medo de ser deixada. Prefiro encarar como uma quarentena de cura, quando é necessário um isolamento, uma desintoxicação. Por quanto tempo, não sei.

Mas preciso reencontrar meu espaço interno, meus limites, o prazer de estar comigo, o silêncio. Talvez um teste. Comigo e com os outros. Andar com as próprias pernas. Deitar no próprio colo. Receber os próprios carinhos. E talvez fazer falta a alguém. Talvez ressaltar marcas que deixei e que foram deixadas em mim. Espírito de cigana, de andarilha, herança atávica de tribos nômades ancestrais.

Quíron, o hierofonte. O ser capaz de curar a todos sem jamais curar a si mesmo. Oxossi, o símbolo da insatisfação humana que procura nas matas um animal inexistente. O eterno voejar em torno a outrem, à procura do que não se consegue encontrar em si próprio. Abelha à cata de mel em todas as flores. Encontra-se o mel, mas não se pode reter o perfume.

Preciso encontrar em mim mesma cada uma das coisas que me faltam, que me faltaram a vida inteira. Antes que já não seja possível procurar mais nada. É em mim que preciso encontrar a paz. O afeto. O aconchego. O respeito. A consideração. A força. A beleza. A sensualidade. A importância. A prioridade absoluta. O amor. É em mim que preciso buscar a suficiência. É de mim que tem que vir o prazer orgástico de plenitude.

Quisera ser hermafrodita. Ter em mim a essência feminina e masculina. A auto-suficiência em sua expressão mais absoluta. Impossível, eu sei. Mas posso ter a suficiência da plenitude, da autonomia. Posso me bastar. Sem que isso resulte em amargura nem isolamento eremita. Nem que isso resulte em dureza fria.

O humano é só. Sabedoria lispectoriana. O humano é só, belo, forte. O mito do andrógino pode realizar-se em mim, em nós. Nós podemos nos abraçar a nós mesmos e sermos nossa própria cara metade. Nós podemos encontrar em nós mesmos nossa fonte de energia e prazer. E, talvez até transbordá-la para outros. Ou beber em outras fontes, eventualmente. Mas qual camelo em travessia de deserto, é imprescindível ter uma reserva suficiente de água para sobreviver.

            E água, é vida. É energia e prazer. É amor e movimento.

Quero ter a profundeza do mar, que abriga, mas se basta. Quero ter a leveza da cachoeira que resiste a um grande salto e de sua queda gera energia. Quero ter a liberdade do vento que sopra indiferente a quem é por ele tocado. Quero ter o calor do sol que brilha independentemente do que esteja exposto. Quero ter a luz da estrela que cintila apesar das nuvens impedirem que a vejamos.

* NO BAÚ DA MEMÓRIA

Minha memória me prega peças.
Como eu posso não lembrar de onde conheço a pessoa que me cumprimenta, quando trago tão vívida a lembrança de fatos da mais tenra infância? Mas é assim. Ao lembrar de algo, revejo a cena inteira, me lembro de cheiros e gostos, sei a posição em que cada um estava na mesa, a roupa, os olhares e risos... os detalhes. E de repente, embaralho as imagens, confundo pessoas, sei que conheço mas não sei de onde, esqueço nomes...

Talvez seja justamente por lembrar tanto. Pois que trago em mim a lembrança de fatos aparentemente sem importância, encontros fugidios, pequenas coisas. Acho que trago a herança de Adriano Hélius, Imperador Romano do Século II, que dizia que nenhuma glória do império poderia substituir o prazer frugal de uma água bebida num regato, na mão em concha, após uma caminhada. Dou valor às pequenas coisas... Agradeço por pequenos gestos de carinho, guardo bobagens insignificantes em termos materiais... Mas as coisas para mim valem pelo que significam, não pelo que custaram.

Meu baú de tesouros inclui longas conversas na madrugada, uma rosa comprada num sinal vermelho, um abraço inesperado, um cinzeiro roubado de um bar, um olhar carinhosos, um passeio... milhares de coisinhas que se perdem no tempo... Houve época em que esse baú era feito de matéria palpável. E as coisinhas podiam ser vistas e pegadas por qualquer um. Hoje, nem isso me é necessário. E meu baú de tesouros transformou-se numa arca imperial do mais fino material com que se fazem os sonhos, intangível... Não preciso mais de chavezinhas nem cadeados de segredos... Só eu mesma tenho a senha de acesso, só eu posso ver e sentir o calor dos tesouros ali guardados. E só eu sei avaliar a preciosidade de cada um. Um anel de diamante é apenas um anel de diamante. E seu valor pode ser endossado por qualquer joalheiro de respeito. Mas quem pode dizer o valor de um abraço amigo num momento de crise? Em meio a uma tempestade emocional, de que me vale um enorme guarda-chuva, cravejado de brilhantes, em detrimento de um gesto de carinho?

Desculpem-me aqueles a quem já cometi a descortesia de esquecer o nome. Mas é que minha memória se abarrota de lembranças assim... Ela sabe o sabor do primeiro beijo, da sobremesa gostosa preparada especialmente para mim por alguém especial, o som de uma voz amiga num momento de tristeza, do riso de um amigo ao dividir um sucesso, a textura macia de um cabelo em que fiz cafuné, do peso suave de uma cabeça querida que deitou em meu colo... Minha memória tem caprichos que nem eu mesma domino. E insiste em guardar a ternura de momentos que aos olhos do mundo pareceriam banais. Momentos simples compartilhados com pessoas que eu considero especiais. E pra quem tantas vezes não sou mais que um passante.

E que me importa se as lembranças não são recíprocas? É da minha memória que cuido, são os meus tesouros que guardo, é o meu coração que ela aquece... Sim, sou egoísta quanto a isso. E zelosa, também.  Mas, jamais, mesquinha. Estou sempre disponível a compartilhar os tesouros que trago guardados... E eis que ao me conhecer, leva-se um kit completo de lembranças e amigos possíveis... Pois que adoro tirar do baú minhas lembranças (algumas, de tão antigas, ainda em preto e branco, como disseram tantas vezes...) e dividi-las com outros que me sejam igualmente caros.

E há sempre um espaço sobrando para guardar novos momentos, novos gestos de carinhos, novos sorrisos, novos amigos...

*Jan 2007

domingo, 21 de janeiro de 2007

* AS PEQUENAS TRAGÉDIAS PESSOAIS

Penso às vezes em nossas pequenas e grandes tragédias de cada dia. E me dou conta de que não existe fórmula para superá-las. Há os que recebem uma cota tão visível de tristezas e horrores... e no entanto espalham sorrisos e alegrias sinceras ao seu redor. Há os que suportam duramente as suas penas, que aos olhos de tantos parecem não existir... Há os que quebram, ou se endurecem, ou simplesmente desistem e baixam a cabeça para que lhes seja colocada a canga... E seguem silenciosamente o rebanho, sem que se saiba sequer que ali existe vida....

A única coisa de que tenho certeza é que a cada um é dada a sua cota. E a cada cota corresponde o tanto e o tipo de aprendizado necessário ao crescimento. Tristeza e loucura nos espreitam em cada esquina. E andam juntas, irmanadas, à espera do tropeço onde possam se apresentar...  E tantas vezes independem do quanto desejamos ver o que de mais belo existe no planeta para ser vivenciado... Apenas a crença inabalável na continuidade da vida e na justiça cósmica permitem vislumbrar que há razões positivas em  tudo o que acontece.

Nada é por acaso. Nada é em vão, como já cantava Carlinhos Vergueiro... E “quem tem estrelas no olhar,não pode se afogar na dor”. E é por isso que insisto em ver beleza no ser humano que tantas vezes se apresenta tão sórdido... O brilho dos meus olhos pode ter esmaecido ao longo dos anos. São tantas as pedras que me jogaram, que quebraram as lâmpadas que iluminavam o meu olhar. Mas continuo a buscar no fundo da minha alma as brasas que sobraram... e a soprá-las até virarem chama outra vez e alumiarem as lamparinas do meu coração.

E, como phênix, consigo renascer das cinzas. Talvez não mais bela que antes, qual o pássaro mitológico. Talvez não mais imaculada e inocente. Trago em mim as cicatrizes das muitas batalhas que travei ao longo da vida. Das quais, as mais ferrenhas foram para resgatar minha liberdade interior, para manter meu coração livre de preceitos e preconceitos idiotas, dos grilhões do medo e do horror da descrença. Mas, com certeza, cada vez mais inteira. Como uma colcha de retalhos que é feita de pedaços díspares, mas acaba por formar um conjunto belo e harmonioso.

Não espero mais ser compreendida em meus conceitos. Sei que minha lógica segue um caminho que difere em muito das normas estabelecidas. Sei que me encontro à margem do que a pequena visão da sociedade materialista ocidental consegue enxergar. E, paradoxalmente, nunca fui transgressora das leis que realmente importam. Nem mesmo das leis dos homens.  Marginalizada, sem ser marginal no sentido que normalmente se dá a essa palavra. Sem ter tido a ousadia dos rebeldes temerários. Mas, ousada, sim. Por aceitar pagar o alto preço de sair do rebanho, seguir as normas do meu coração, abrir as portas da minha casa e da minha vida de uma forma que é incompreensível para a maioria.

Sim, essa maneira de viver já me trouxe muitas dores. Já fui usada, vilipendiada, extorquida, chacoteada. Já cheguei à beira do precipício sem fundo da loucura. Já carreguei o peso inimaginável da tristeza mais profunda. Mas sempre tive uma mão invisível a me segurar no último instante. Porque meu jeito de ver e viver a vida também me trouxe prazeres que o medo faz com que tantos desconheçam... Sorrisos e abraços repletos de um carinho ilimitado, vindos de onde talvez não se esperasse... Lições de vida inusitadas... Vislumbres de mundos que a maioria nem imagina que existam.... Simplesmente porque os preconceitos impedem que se aproximem o suficiente para descobrir o diamante que se esconde em cada pessoa.

E me trouxe, sobretudo, a certeza de que talvez eu não receba o afeto e a consideração de alguns. Às vezes, até de quem me seja mais caro. Mas que não sigo sozinha. E que, sempre, em muitos lugares desse vasto mundo de meu Deus, haverá “um abraço amigo, um canto pra dormir e sonhar”... E que, ao deitar no travesseiro e dormir o sono leve de quem tem a consciência limpa, sempre haverá anjos velando por mim, chamados não por meu merecimento pessoal, mas pelas energias positivas de tantos que me têm afeto verdadeiro.

Apesar das minhas pequenas grandes tragédias pessoais, sou abençoada por não ter perdido o sentido da gratidão nem a fé. Tive, tenho e terei um caminho solitário, eu sei. Mas iluminado pelos sorrisos de tantos que encontrei pelo caminho e deixaram em mim sua marca de carinho, pelas lembranças de pequenos momentos inesquecíveis, pelo som de um riso de alegria, por prazeres simples que foram compartilhados. E, principalmente por continuar acreditando que o ser humano é o que de mais fascinante existe no Universo.

*Jan.2007

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

* O AMOR

Talvez eu seja completamente desencontrada do meu tempo... Mas ainda acredito que os maiores tesouros são abstratos... e que nada substitui um amigo, um afeto sincero... e que AMOR é uma palavra tão grande que consegue conter desde o amante inesquecível, o amigo-irmão escolhido, o filho que geramos... até o desconhecido por cuja sorte nos interessamos...

Também acredito que o único amor desperdiçado é aquele que retemos, que não dedicamos a alguém, que não partilhamos... E que se esse amor não é valorizado ou retribuído, é , sim, uma grande perda... mas de quem não tem a capacidade de enxergar a beleza de ser amado.. jamais de quem ama...

* 2006

* O AMOR

Talvez eu seja completamente desencontrada do meu tempo... Mas ainda acredito que os maiores tesouros são abstratos... e que nada substitui um amigo, um afeto sincero... e que AMOR é uma palavra tão grande que consegue conter desde o amante inesquecível, o amigo-irmão escolhido, o filho que geramos... até o desconhecido por cuja sorte nos interessamos...

Também acredito que o único amor desperdiçado é aquele que retemos, que não dedicamos a alguém, que não partilhamos... E que se esse amor não é valorizado ou retribuído, é , sim, uma grande perda... mas de quem não tem a capacidade de enxergar a beleza de ser amado.. jamais de quem ama...

* 2006

* QUANDO O SOL RAIAR

Tem palavra borbulhando no meu peito, doida pra achar uma brecha e sair. Mas tem um não sei quê que trava, e eu espicho o ouvido pra ver se escuto o que elas dizem, se entendo e se traduzo... Mas nada. Eita, que raio de tradutora sou eu que entendo o texto alheio e não consigo decifrar os sentimentos emaranhados que me corroem por dentro!


Ao mesmo tempo, sou eu que espreito. Escuto. Mas calmamente espero. Pois que sei que elas sabem sua hora. E quando estiverem prontas, vão brotar como as florzinhas onze-horas, que se abrem ao calor do sol. Não há que ter pressa. O sentimento tem seu próprio ritmo. E precisa de calma pra poder desatar os nós e se tornar visível. È toda uma vida que se enovela e se revela. Mansamente sei que muita coisa se modifica em mim. Sinto uma pressa por dentro, ao mesmo tempo em que me movo em câmera lenta.

Será que é isso o que chamam “maturidade”? Perdi o ritmo frenético em que vivia, quase que atordoando os sentidos. Paradoxalmente, um frenesi “careta”... sem álcool, sem drogas. Mas um ritmo meio que alucinado, onde cuidava de tudo e todos, falava, saía... e  não me via, não me ouvia, não me sentia. Hoje, toda aglomeração me cansa.  Estou bem sozinha, comigo mesma. Gosto de ouvir o silêncio e de conversar comigo. Estou numa hibernação, numa vida de eremita. Sem pressa.

Já não me cobro a produção alucinada de coisas, o contato alucinado com pessoas... que tantas vezes nada significavam pra mim e pra quem eu nada signifiquei. Hoje sou extremamente seletiva. E são poucas as coisas e pessoas que me fazem falta. Me satisfaço em saber que estão ali, que talvez — ou com certeza — gostem de mim. Já não sinto a ânsia de sair, de ver, de estar em todos os lugares...

Não sei se é fase. Não sei se é pra sempre. Mas é meu momento. È minha realidade.
Hoje.
Amanhã... só depois que o sol raiar poderei saber o que me trará...

*.Dez.2006

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

* FAZER NOVELA EM PERNAMBUCO


Fazer novela não é fácil. Não é à toa que praticamente uma única emissora tem esse monopólio. O trabalho com audiovisual é árduo e caro. Fazer novela em Pernambuco, então, é muito mais árduo. Tarefa a que ninguém se aventurou nos últimos 36 anos. Até que, cansados de ver os talentos locais irem embora, qual retirantes, tentar a vida no Sudeste, um grupo de roteirista, produtores, técnicos e atores resolveu encarar o desafio.

E que desafio! De início, enfrentar as críticas, dúvidas e negativismo de todos os que chamavam o projeto de “loucura”. Depois, sinopse na mão, montar a equipe de base. Em seguida, achar parceiros que acreditassem no projeto e resolvessem aderir ao sonho. E, ao apresentar o projeto, a agradável surpresa: alguns dos melhores atores de Pernambuco abraçaram a causa de imediato, e choveram solicitações para participar da novela.

Durante três meses, os atores trabalharam os personagens, enquanto a equipe de base corria atrás de apoio. E finalmente surgiu um empresário de visão que tornou-se o grande parceiro desse sonho coletivo. Dessa forma, o projeto Aitaré da Praia tornou-se uma realidade numa co-produção da Cultmídia (Francisco Amorim & Mariú Gondim) e da Estação TV (João Florentino).

Ainda era pouco. A Cultmídia, responsável pela direção, produção e arte, e a Estação TV, pela câmera, equipamento técnico e edição, ainda precisavam de outros apoios. Havia todo o figurino, o cenário, transporte, alimentação, os cachês para serem pagos, enfim, a estrutura para ser montada. E a falta de recursos, que poderia ter sido um fator intransponível, tornou-se uma alavanca para a criatividade e a união da equipe. Para montar o figurino, por exemplo, peças de brechó e bazar de igrejas se juntaram às peças trazidas pelos próprios atores e cedidas por algumas lojas. Na impossibilidade de construir uma cidade cenográfica, estão sendo utilizadas locações reais, casas de pescadores, bares e a casa de praia de um empresário local. Os cenários, além dos móveis da Living Interiores exibe peças de artistas plásticos locais como Iara Tenório, Fernando Kehrle, Christianne Cysneiros e Tathianne Quesado, além de adereços e accessórios pessoais da própria equipe. Os pescadores de Barra de Jangada cedem seus barcos e apetrechos, gratuitamente, em solidariedade ao esforço que vêem toda a equipe realizar. Atores e técnicos investem em seu próprio futuro, esperando a finalização da obra para receber seus cachês.


Assim, “Aitaré” vai tomando forma, revelando paisagens e talentos, numa sucessão de imagens belíssimas. E a qualidade do trabalho realizado a cada dia renova as forças para mais um dia de gravação, mais um dia de construção de uma obra que resgata um marco do cinema, por ser livremente inspirado no filme homônimo de Ary Severo, de 1925, além de trazer a esperança de um futuro melhor para os artistas pernambucanos.

Desde Maio de 2004, quando foram iniciadas as gravações, são 63 atores e 35 técnicos que trabalham arduamente em prol de uma obra que vai beneficiar toda uma classe, que vai mudar o mercado de trabalho artístico e técnico de Pernambuco. Alguns desistiram no caminho, seja por falta de forças, seja por motivos pessoais. Mas o núcleo persiste. Porque todos entendem que estão construindo o futuro, fazendo história. A equipe conta com a Direção de Francisco Amorim, Direção de Arte de Mariú Gondim, Direção de Produção de Telma Mendes, Continuidade de Tathianne Quesado, Cenários de Christianne Cysneiros e Fernando Kehrle, Assistência de Direção de Pedro França e Iluminação de Sandro Moreira. No elenco, nomes como Artur Tigre, Hermylla Guedes, Henrique Pontual, Bobby Mergulhão, Eduardo Japiassu, Isa Fernandes, Cida Alencar, Ana Montarroyos, Ana Cláudia Wanguestel, Manoel Constantino, Renato Phaelante e muitos outros.


Pouco a pouco, mais e mais empresas foram aderindo ao projeto. E assim, o transporte é feito pela MWM Locadora, a alimentação conta com a Cia do Chopp, Laça Burguer, Come-come, Ilha da Kosta, Red’s Burguer, Anjo Solto e Clube da Panqueca, entre outros, A Prata do Vale e o Café Petinho garantem a reposição de forças no intervalo entre as cenas, a Artset gráfica digital colabora para as cópias de textos, a Dona Quitinha, junto com a Sal Marinho, veste a moda praia dos protagonistas, a Living Interiores cedeu os móveis para os cenários. E ainda, o Detran, a Prisma, a Ótica Loyon, o Hotel Pousada de Candeias, o Park Hotel, a Check-up Med... Cada uma dessas empresas contribui para que as gravações continuem, para que o sonho não acabe, para que as forçam não esmoreçam... Porque entendem que é preciso acreditar no talento e na cultura de Pernambuco, fazendo com que seus artistas possam viver da arte em sua própria terra. Porque entendem que entretenimento é um trabalho sério, feito por gente que luta, que vive e engole seus próprios problemas para levar alegria e diversão a todos. Porque sabem que televisão é ainda o melhor veículo para divulgar suas marcas, e que novela é o principal produto televisivo do país.

Fazer novela em Pernambuco, neste momento, é desbravar um mundo novo e desconhecido. É viajar de diligência, em meio a paisagens inóspitas e perigos insuspeitos. Mas é também sentir o prazer de construir um novo espaço para todos os que vivem da e para a arte. É sentir o prazer de ver novos talentos desabrocharem, tanto no elenco como na área técnica e outros se solidificando, se especializando. É saber que se está contribuindo para a formação de novos profissionais e o desenvolvimento dos que já atuam na área.

Fazer o projeto Aitaré da Praia se concretizar e chegar a público é abrir as portas para a profissionalização dos que fazem arte, para a divulgação das empresas e produtos locais, da beleza natural de nossas praias, de nosso jeito de ser e viver. É eternizar nossa cultura, mostrando que a arte é um produto que pode gerar renda e empregos sem perder sua função primordial de entretenimento e beleza.

*Mariú Gondim
Produtora Executiva e Diretora de Arte
*Set. 2004