Ao mesmo tempo, sou eu que espreito. Escuto. Mas calmamente espero. Pois que sei que elas sabem sua hora. E quando estiverem prontas, vão brotar como as florzinhas onze-horas, que se abrem ao calor do sol. Não há que ter pressa. O sentimento tem seu próprio ritmo. E precisa de calma pra poder desatar os nós e se tornar visível. È toda uma vida que se enovela e se revela. Mansamente sei que muita coisa se modifica em mim. Sinto uma pressa por dentro, ao mesmo tempo em que me movo em câmera lenta.
Será que é isso o que chamam “maturidade”? Perdi o ritmo frenético em que vivia, quase que atordoando os sentidos. Paradoxalmente, um frenesi “careta”... sem álcool, sem drogas. Mas um ritmo meio que alucinado, onde cuidava de tudo e todos, falava, saía... e não me via, não me ouvia, não me sentia. Hoje, toda aglomeração me cansa. Estou bem sozinha, comigo mesma. Gosto de ouvir o silêncio e de conversar comigo. Estou numa hibernação, numa vida de eremita. Sem pressa.
Já não me cobro a produção alucinada de coisas, o contato alucinado com pessoas... que tantas vezes nada significavam pra mim e pra quem eu nada signifiquei. Hoje sou extremamente seletiva. E são poucas as coisas e pessoas que me fazem falta. Me satisfaço em saber que estão ali, que talvez — ou com certeza — gostem de mim. Já não sinto a ânsia de sair, de ver, de estar em todos os lugares...
Não sei se é fase. Não sei se é pra sempre. Mas é meu momento. È minha realidade.
Hoje.
Amanhã... só depois que o sol raiar poderei saber o que me trará...
*.Dez.2006
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