E Clarice diz que “Viver ultrapassa qualquer entendimento”. Escrever é o transbordamento dessa vida não entendida, do sentimento maior que o peito, da energia maior que o ser.
Escrever é doar-se, mostrar-se; É gritar de dor, de prazer, é dar e pedir socorro. Escrever é sempre se dar colo, mesmo que para quem lê, seja o abraço aconchegante e necessário. Impossível escrever para “os outros”: Escrever é sempre uma viagem interior e solitária. É buscar no fundo de si o que se tem de melhor e mais profundo, os fantasmas que assustam, os medos inconfessáveis... Se isso é útil para alguém, é conseqüência, jamais objetivo.
Poesia não está nos versos e sim na emoção que escorre por entre as letras. Poesia é sentimento que se concretiza em palavras e toca apenas as almas que vibram em freqüências afins. Se a isso se juntar a melodia, pode ser um cântico de anjos ou um toque de guerra, mas atinge as fibras mais profundas de um ser.
Diz-me o que ouves, e eu te direi quem és...
Tudo isso é solitário. É auto-conhecimento, intimidade. É ato de dor ou prazer. É catarse consciente ou inconsciente. E o outro pode partilhar do conteúdo e da forma, jamais do significado. Pode reconhecer-se. Pode captar o jeito de ser de quem escreve, mas a essência que transborda para o papel permanece intocada até acontecer o milagre de uma alma gêmea ser encontrada.
Então, toda escrita torna-se supérflua. Pois que se fala de um coração a outro.
2 comentários:
Eu estou vivenciando isso neste dia a dia do exercício do blog . Para mim tem sido uma nova "VIAGEM " . Muito bom poder dividir essa experiência com vc .... Xêro !
Eu vivencio isso a vida inteira... Vivo pelo avesso. E também acho ótimo poder compartilhar essa experiência...
Xeiro
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