Quase tédio.
Uma tristeza que vem vindo devagarinho e se apossando de todo o espaço livre. Não é uma tristeza doída: é quase uma doçura, quase um carinho. É uma tristeza gostosa, quase... amiga. É uma tristeza de saudade.
É a falta que faz um carinho que é da gente e que a gente sabe que está à espera, sentindo a mesma falta. É a quase presença de alguém.
Não, não é amargura, apesar de ser a tristeza que há num coração sozinho, vazio. É a tristeza-esperança do sonho, da vida. Da certeza que a solidão vai acabar um dia: que o amor está escondido em uma curva da estrada ou em uma dobra da roupa.
Sinto a doçura dessa tristeza que vem num sussurro, nuns olhos molhados. Sinto o aconchego que poderia ter se...
“Se”, o quê? “Se”, nada. Apenas “Se”. O aconchego que tenho direito a ter; que já tive e que terei um dia.
Sinto a presença dos seres amados, amigos, distantes. E tão próximos. E tão dentro de mim. Sinto a energia que emana desse sentir, que me fortalece e me gratifica. E me vivifica.
Sou uma mulher.
Sozinha.
Bonita.
Forte. Frágil.
Cheia de amor e vida.
E a doçura desse momento me basta, por ora.
.Fev.1987
Um comentário:
Nossa , desde sempre que vc já era POETA ???? ADOREI ! BEIJOS !
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