sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

* AMOR PRÓPRIO

A gente aprende que a maturidade chega junto com a sabedoria e a idade. Que vã idéia! A cada dia me descubro mais e mais incompleta. E cheia de ansiedade e lacunas a preencher numa vida que jamais consegui sentir realmente plena. Revisões de comportamento, de posturas e valores. Desejos, muitas vezes inconfessáveis e inconfessados até pra mim mesma.

E, no entanto, estou calma. Em ebulição por dentro, mas tranqüila na superfície. Sinto brotar em mim uma magnitude diferente. Parece que, enfim, a mulher que posso ser está prestes a surgir, a florescer. Unidade. Plenitude. Integridade. Não no sentido comum desta palavra: não no sentido moral, de honestidade e confiança. Mas integridade no sentido de integração, de coesão das múltiplas facetas de que sou feita. Inteireza, talvez seja mais exato.

Estou em profundo contato com meu EU interior. Não mais daquela forma infantil e fantasiosa que marcou minha adolescência e juventude. São frases que me soam familiares, que tantas vezes usei em meus escritos, mas cujo significado me aparecem de modo tão diverso, apesar de tão iguais.

Não, não enlouqueci. Nem regredi. Talvez agora eu tenha realmente avançado nesse conhecimento da minha matéria mais íntima e verdadeira. Talvez só agora eu vislumbre o que procurei a vida inteira. Talvez só agora eu me esteja realmente enamorando de mim mesma e descobrindo o amor primordial, que é o amor próprio.

Por toda a vida, procurei num outro ser o amor que me faltava. E esbarrei sempre na pouca confiança que tinha de ser merecedora de amor tão grande quanto o que sei ser capaz de dar. Sempre dei muito, por achar que tinha pouco de mim mesma a dar. E, de certa forma, me senti traída e reconfortada ao mesmo tempo por não me ver amada de forma tão intensa. Traída, por ser injusto. Reconfortada, por que já o esperava. Reconfortada, por me fortalecer e continuar a busca, apesar das quedas.

Hoje, quero primeiro encontrar em mim mesma esse amor. Não mudei do dia pra noite. Não perdi a ânsia de agradar, de conquistar, de ser querida. Mas entendi os mecanismos que usei pra sabotar essas conquistas e resolvi trabalhar neles, eliminar de vez as armaduras com que me revesti a vida inteira. Armaduras que julguei haver jogado fora há muitos anos. Mas que, vejo agora, apenas troquei por materiais mais suaves e quase imperceptíveis a olho nu.

Hoje, estou pronta. E disposta a uma mudança efetiva de atitudes.
“Que venha essa nova mulher de dentro de mim”, como diz a música.

Não encontrei a resposta aos meus problemas... Mas descobri quem posso e quem quero ser. E, melhor, como posso chegar a ser essa mulher maravilhosa que prendi dentro de mim por um tempo tão longo de exílio... Não vou entrar na armadilha da autopiedade e lamentar os anos mal vividos, as emoções truncadas, os amigos perdidos. Vou apenas usar os erros cometidos como alavanca para acelerar todo o processo e viver plenamente cada dia de vida que Deus me der. Cada minuto dessa dádiva maravilhosa que se chama vida.

.Mar.2001 

3 comentários:

Vera Kfouri disse...

Não te conheço, mas este seu texto falou com a minha alma neste momento. Incrível. Só não cheguei tão longe, pois não vi ainda o "como"...mas estou quase lá!
Um abraço emocionado

Mariu Gondim disse...

Que coisa boa.... Fico feliz de ter emocionado alguém. E se, de alguma forma pude te ser útil, melhor ainda...
Sinta-se à vontade pra passear por meu site, deixar comentários (vou adorar!) e mantermos contato, ok?
Beijos

Viviane Negreiros disse...

Essa é a verdadeira maturidade: saber que ainda temos muito p/ descobrir de nós mesmos.Ainda chego lá,viu?

Beijão,amiga.

P.S: Vc reclama tanto que eu não posto nada."Óia" eu aqui!!!Rsss.