quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Tudo Indo. . .

 

Para Mariú Gondim



Tudo indo...
Contra o vento, de encontro a sentimentos
E passa por mim como que fosse deixar saudade
E passa por mim como que eu fosse pensar que era verdade
Um acontecimento que não foi, um sonho que não sobreviveu à noite
Um pensamento que me inebriou, me enganou
Abrir os olhos por vezes é um açoite
É trincar os lábios, prender o ar nos pulmões
Não tenho dois corações
Ao meu lado a cama está vazia, sobra um travesseiro
Sobra um mundo inteiro
Num breve momento sorri, lembrei-me de ti
Mas não pude abrir os braços, tua ausência é o meu cansaço
Um lapso
Não capto o momento em que te perdi
Um pacto rompeu-se no meu existir
Não dou a última carta, não acredito no fim
Há no meu peito, incessante, um coração
Fome nas mãos, nos pés um desejo pela imensidão
Que tudo vá!
Se tudo vai indo, eu vou...
Não quero olhar pra trás, já me bastam as lembranças
Não me dêem as mãos, não pensem que sou criança
Já sofri
Prefiro beirar os trilhos, me arriscar em precipícios
E prosseguir...deixando cair meu vícios, pesar meus cílios
E num ponto qualquer do caminho
Me ausentar de ti.

 De
Eduardo Japiassú
11/04/2001

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