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E busco lá no fundo a minha pérola
Mas cada ostra que encontro, está vazia.
Subo à tona e respiro um pouco mais
E volto ao meu mergulho, incessante
Por que sei que lá no fundo, cintilante
O meu tesouro permanece, intocado.
Passeio entre navios naufragados
E entre restos de lembranças, eu vasculho.
Memórias de infância, de outras vidas,
De um tempo em que, sem medo,
Eu brilhava.
E ria, e brincava, e planejava
E acreditava que a vida me esperava
Pra me dar contas das pérolas que guardava.
Doce ilusão!
A vida não espera, passa.
A nós é dado procurar a pérola
E dela fazer jóia, ou manter guardada.
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* Abr. 2002
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