sexta-feira, 19 de outubro de 2007

As Mulheres Celtas

As mulheres de origem CELTA eram criadas tãolivremente quanto os homens.

A elas era dado o direito de escolherem seus parceiros, e nunca poderiam ser forçadas a uma relação que não queriam.  Eram ensinadas a trabalhar para que pudessem garantir seu sustento, bem como eram excelentes donas de casa e mães.


A primeira lição era:

·   "Ama teu homem e o segue, mas somente se ambos representarem um para o outro o que a deusa mãe ensinou: amor, companheirismo e amizade".
 ·  Jamais permita que algum homem a escravize: você nasceu livre para amar, e não para ser escrava.
 ·     Jamais permita que o seu coração sofra em nome do amor. Amar é um ato de felicidade. Por que sofrer?
 ·  Jamais permita que seus olhos derramem lágrimas por alguém que nunca fará você sorrir!
·  Jamais permita que o uso do seu corpo seja cerceado. Saiba que o seu corpo é a moradia do espírito. Por que mantê-lo aprisionado?
·  Jamais se permita ficar horas esperando por alguém que nunca virá, mesmo tendo prometido!
· Jamais permita que seu nome seja pronunciado em vão, por um homem cujo nome você sequer sabe!
·   Jamais permita que o seu tempo seja desperdiçado com alguém que nunca terá tempo para você!
·  Jamais permita ouvir gritos em seus ouvidos. O amor é o único que pode falar mais alto!
· Jamais permita que paixões desenfreadas transportem você de um mundo para outro, que nunca existiu!
· Jamais permita que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo!
· Jamais acredite que alguém possa voltar, quando nunca esteve presente!
·  Jamais permita que seu útero gere um filho que nunca terá pai!
· Jamais permita viver na dependência de um homem, como se você tivesse nascido inválida!
· Jamais se ponha linda e maravilhosa a fim de esperar por um homem que não tenha olhos para admirá-la!
· Jamais permita que seus pés caminhem em direção a um homem que só vive fugindo de você!
· Jamais permita que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar o brilho dos seus olhos dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de você!


E, sobretudo, jamais permita que você mesma perca a dignidade de
ser mulher! 

                                                                                                               (Autor Desconhecido)

* EM PAZ

A vida toda quiseram que eu fosse o que eu não era. E muito dificilmente conseguiram ver o que tão bem eu sabia ser. E, por desconhecimento da matéria de que era feita, eu achei que eles sabiam o que diziam, e exaustivamente tentei ser o que esperavam de mim.

E assim eu me corroí de culpa por não ser tão generosa e sempre ficar atenta ao meu brinquedo preferido em mãos alheias — que tudo podiam por ser visitas... E não entendia porque quando eu era a visita, só podia brincar com o que me era oferecido. Me senti mal a cada explosão de agressividade, não aprendi a revidar os tapas que levava, e acreditei que cada pequena tragédia era castigo divino por faltas cometidas — mesmo que eu não lembrasse de nenhuma que merecesse tanta punição... Mas eu era “inteligente” e por isso devia entender...

E eu odiava ser inteligente! Porque as pessoas inteligentes tinham que ser boazinhas e responsáveis. E cultas. E ativas. E meu dia era cheio com aulas e treinos. Disso eu até gostava. Porque gostava de ver as pessoas e aprender as coisas. E arrumava tempo pra brincar, também...  Mas, claro, desde que não brigasse e dividisse meus brinquedos com as outras crianças... E esperasse pra comer o brigadeiro depois dos parabéns... Invariavelmente uma de minhas primas os comia todos antes.... Mas isso era falta de educação. E eu também era “ajuizada” e, por isso, bem educada.

Ai, como eu detestava ser “ajuizada”! Porque meninas ajuizadas não fogem pra ir pras festinhas que foram proibidas... Nem namora escondido com o menino mais levado da turma... Muito menos experimenta os mais diferentes drinks ou bebe além da conta. Nem inventa que está doente pra não fazer a prova... Nem mente que não vai ter prova pra ficar até o final da festa... E quando qualquer dessas coisas acontecia... a culpa mais uma vez me corroia. E, se depois acontecia uma coisa desagradável... claro! Era castigo. Quem mandou rir tanto???

Se eu mergulhava na leitura e esquecia do mundo... estava provocando. Se eu conhecia um determinado assunto além do esperado para minha idade... era “enciclopédia”. Se eu era muito comunicativa... era metida. Se eu me isolava, pensativa... estava querendo chamar a atenção e afastando as pessoas. Se eu não queria dividir algo de que gostasse muito.. era egoísta. Se era desprendida... era capacho. Se eu queria correr o mundo... era bandoleira. Se eu exaltava as qualidades de alguém... era ingênua e confiava demais. Se enxergava os defeitos...estava sendo maldosa... Não me cuidava o suficiente. Não estudava o suficiente. Não era suficientemente atenciosa. Não era magra o suficiente. E minha paixão por cinema e televisão e dança e teatro nada mais eram que futilidades e delírios juvenis... porque arte é para ser vista... jamais para ser exercida.

E eu passava metade do meu dia a tentar entender essas informações tão contraditórias e achar a justa medida. Porque ser o que todos queriam que eu fosse... era impossível. Mas eu era inteligente, e devia saber como fazer... Isso também devia me bastar. Nunca entendi porque as pessoas inteligentes não podiam sentir falta de elogios ou vontade de experimentar coisas novas, ou preferir uma festinha a um programa mais cultural... E como eu era inteligente, nunca me explicavam essas coisas...

Assim, cresci confiando sem confiar realmente. Sabendo, mas sem ter segurança no que sabia. Querendo mas não esperando realmente obter. Brincando, saindo, rindo... sem realmente me divertir. E vivi as vitórias e transgressões de meus amigos, por tabela, como se fossem minhas. Eu era coadjuvante, nunca protagonista. E acho que se não fui eu que inspirei a Microsoft, como diz um amigo meu, pelo menos fui a musa do controle remoto e do localizador GPS: porque nem mesmo milhares de km de distância me faziam deixar de seguir a maioria das normas estabelecidas...mesmo que eu não concordasse com elas.

É claro que uma pessoa tão inteligente não poderia ser exatamente passiva... E minha rebeldia se manifestava nas respostas... rápidas, agudas e certeiras. O que me valeu mais uma etiqueta inadequada: agressiva. E aprendi a usufruir do que me era permitido. Fazer teatro não pode, mas assistir, pode? Eu era barata de teatro e ia a todos os espetáculos locais ou vindos de fora. E graças a Deus, na minha adolescência e juventude Recife produzia muitos e ótimos espetáculos!!!! Boate não pode, mas barzinho, pode? Eu freqüentava todos!!! Estudar teatro e cinema no Rio não pode.. fiz arquitetura. Morar fora não pode.. eu viajava todas as férias.

E fui driblando as dificuldades, engolindo as mágoas, secando as lágrimas, explodindo de vez em quando... E golpeando com respostas sarcásticas e irônicas a cada vez que me sentia agredida. Mas fui também trabalhando meu interior, reconstruindo minha identidade. Adiei o sonho de ser artista e fui atrás da verdadeira independência: a financeira O preço a pagar foi alto. Mas valeu a pena.

Estive só nas minhas horas mais difíceis. Conheci o inferno da solidão e da melancolia quase crônica. Mas fui atrás de cada pedacinho de mim e me reconstruí. E me reconstruo a cada dia. Me reintegro a cada dia. Me redescubro a cada dia. E posso não ter histórias de grandes romances ou grandes travessuras, mas conheço um mundo que as pessoas medíocres e acomodadas nunca vão sequer suspeitar que existem. 

Aprendi aos poucos a confiar em mim mesma. A saber quem eu sou. A aceitar que minha visão do mundo é única e inusitada. E a colecionar pessoas, histórias, amigos. Meu caminho é solitário, eu sei. Mas aprendi a ser uma excelente companhia para mim mesma. Jamais menosprezo um afeto, venha ele de onde vier. E não espero reciprocidade no carinho que dou.

Ainda não curei todas as feridas. Ainda não me livrei de todos os medos. Ainda não exorcizei todos os fantasmas. Ainda não descobri todas as belezas... Mas estou no meu caminho.

Hoje eu posso dizer: estou em paz comigo mesma.
Isso me basta.

                                                                                                                       
Recife,
17/ Fevereiro/ 2007 

* DOR E POESIA

Em meio a toda a dor
Encontro em mim o conforto
De poder escrever versos.
Faço da dor poesia,
Da angústia, contraponto,
De cada grito, exclamação.
Marco o ritmo com soluços,
Transformo lágrima em vírgula,
E os pedaços de sonhos
Que se perdem na hemorragia
Viram notas — que não soam,
Pois a dor que trago no peito
Me prende a voz na garganta.

O meu verso é o canto triste
De um cantor que não tem voz.
É grito mudo e doído.
É solidão. Desencanto.
É desalento. Desencontro.
Descompasso passo a passo
Com os passos do meu mundo.
E já nem sei se o que escrevo
É poesia que concretiza a dor,
Ou se é minha dor que se poetisa
E se esvai em versos.




Recife,
04 / Agosto / 1987

UMA MULHER

Sou uma mulher em marcha.
Nem sempre sei direito
Qual o rumo,
Qual o sentido,
Mas nunca perco o contato
Com o objetivo.

Sou uma mulher em luta
— Nem sempre tão profícua —
Contra preceitos,
Preconceitos,
Velhos fantasmas e medos,
Dúvidas e limitações.

Sou uma mulher em busca
Do sentido maior da vida,
De conhecimento, unidade,
De equilíbrio e justiça,
Da cura para as feridas
E do prazer de sorrir.

sábado, 29 de setembro de 2007

* EXTREMOS

Minha inteligência fez de mim
Alguém extremamente burra
Em se tratando de emoções...
Minha sagacidade fez de mim
Alguém extremamente crítica...
E minha criticidade me tornou
Extremamente criticada...

Minha sensibilidade me fez ser,
Sempre,
Extremamente magoada...
Minha generosidade, sempre
Me fez ser extremamente explorada....
Minha disponibilidade
Sempre me trouxe intrigas e disputas...

Minha capacidade de amar
Fez de mim alguém extremamente rejeitada....
Minha capacidade de perdoar o imperdoável
E compreender o incompreensível
Sempre me fez ser extremamente incompreendida...

Vivo vidas que não são minhas
E nem sei se estou passando em branco
Pela vida que me cabe...
Sou cheia de humor e alegria
E muitas vezes a depressão e a loucura
Me espreitam numa curva do caminho...

Tudo o que tenho não é meu
E não disponho do que me pertence por direito;
Jamais tive a lealdade que dedico
Ou me vi como prioridade
Dos que me são prioritários...

Vivo de opostos, de extremos...
E, se um dia isso foi incômodo,
Hoje é pra mim um ponto de equilíbrio.
Navego entre dois mundos
E neles aprendo e bebo da fonte de vida...

E se assim a vida me fez conhecer a vida,
Assim aprendi a conhecer a mim,
E a viver as infinitas possibilidades

Porque a vida fez de mim alguém
Extremamente sedenta de conhecimento,
E extremamente bela...

*2007

* TRAVA

Trava,
Tramela.
Revela o medo.
Orgulho
Borbulha do peito,
Deixa de fora
O afeto,
Retoca o que sente
E mente
Que é repente.
Nem sente
A fome, o frio.
Ferrolho
Que fecha o olho
Do amor

*2002

terça-feira, 18 de setembro de 2007

* HOJE, NÃO

Eu tenho paciência infinita com a loucura alheia
E me espelho nas dores e carências
De quantos encontro pela vida...
Mas, por favor,
Hoje não...

Hoje, me bastam minha própria tristeza
Minhas dores, desejos e mágoas....
Hoje, não quero saber das loucuras,
Fragilidades, tristezas de mais ninguém...
Hoje só quero saber de doçura,
De carinho, beijo aconchego....
Só quero saber de quem me queira bem...

Hoje, não, por favor....
Não quero ouvir dissabores,
Mágoas de amores
Ou viagens alucinadas....
Não quero saber de problemas
Não quero saber de tristezas....

Nem mesmo quero saber das vitórias
Alegrias, sucessos, glórias!
Que cada um se realize onde está seu coração,
Que festeje a realização dos sonhos,
Mas, por favor...
Hoje, não....

Não se trata de inveja, amargura ou ciúme...
Só preciso de um tempinho
Pra lamber minhas feridas
E, de novo sorrir pra vida.
Amanhã eu volto...
E vou oferecer meu ombro ou
Vou celebrar os sucessos...
Mas, por favor,
Hoje, não.

Hoje eu quero o meu casulo
Quero colo, quero abraços...
Me digam que sou bonita,
Me cantem músicas lindas
Digam o quanto me admiram
Me brindem com seus sorrisos....
Tragam flores para mim...

Hoje eu só quero beleza
Tranqüilidade,
E a certeza
Do amor que sentem por mim....

*Set. 2007