domingo, 9 de setembro de 2007

* REPETIÇÃO

Infinitas vezes a vida se repete
Até conseguirmos apreender o significado
Das lições que recebemos, desarmados.
Impossível parar seu fluxo
Ou tentar mostrar que é outro o nosso objetivo.
Não adianta tentar usar a lógica,
Ou explicar nossos motivos:
A vida impõe, imperiosa, o seu sentido.
E diante de nossos olhos, estupefatos,
Se desenrola, sem cessar, nosso destino.
Em vão nos dizem sermos dele soberanos
Pois que apenas em parte decidimos.
Cabe a outros reagir da forma “certa”
E só a eles dar o próximo passo.
Como num jogo de xadrez, vivemos:
E tolamente
Pensamos ser reis, rainhas, bispos e torres.
Na verdade não passamos de peões
Ou de cavalos
De um jogador desconhecido, o acaso.
E as peças se movem num tabuleiro
Onde as regras do jogo são por nós desconhecidas
Cada movimento pode levar horas,
Meses, anos, uma vida.
E muitas vezes nos vemos encurralados
Por peão mais esperto ou competente.
É inútil pensar que decidimos,
Que somos espertos, criativos e fortes,
Que podemos decidir o rumo desse jogo
Pois as jogadas são quase sempre intuitivas
E nada nos garante serem as certas.
Até neste momento me utilizo da imagem
Que a outro foi revelada.
E me dou conta que, na verdade,
Não crio nada.

*Abril 2002

Um comentário:

Albérico M. Silveira Filho disse...

Querida , lembre-se da letra dos TITÃS :
" O ACASO VAI ME PROTEGER , ENQUANTO EU ANDAR DISTRAÍDO.... "
Fique certa de que ELE , ( O ACASO ) , sempre nos protegerá !
Adorei esse texto ! XÊRO !